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O jogo da credibilidade dos políticos

“Pai, se foi o Passos que ganhou as eleições porque é que todos falam com o Costa?” O raciocínio de uma criança, nesta simples pergunta, traduz a estupefação, incredulidade e preocupação de muitos perante os acontecimentos políticos dos últimos dez dias.

É verdade, estamos perante uma nova e inesperada situação política. Não devido aos resultados eleitorais, porque já não é a primeira vez que existem maiorias relativas no parlamento. O que é novo é a forma como os políticos estão a lidar com esses mesmos resultados. Estamos na fronteira entre o legal e a legitimidade política. Parece óbvio, perante a lei eleitoral, que quem conseguir mais votos na Assembleia pode formar governo e governar. E isso não está em causa.

O que está em causa é a legitimidade política das possíveis soluções governativas que a aritmética parlamentar possibilita. A legitimidade política vem das promessas eleitorais, feitas durante a campanha, nas quais os eleitores votaram, e dos resultados das eleições. Mas aquilo a que estamos a assistir é de uma outra realidade, a realidade que manteve mais de metade dos eleitores longe das urnas.

São comportamentos do “vale tudo” para conquistar o poder, mesmo facadas nas costas dos eleitores, ou seja, os atores políticos não seguirem o compromisso que eles mesmos assumiram com as suas palavras e discursos. Quem atua assim, que autoridade espera que lhe seja reconhecida quando assumir a responsabilidade de fazer funcionar a máquina do Estado, em prol do bem comum?

A palavra confiança escrita nos cartazes da campanha, contrasta com as táticas e manobras de assalto ao poder a que estamos a assistir, baseadas num oportuno calculismo político que procura mudar as regras do jogo para inverter um resultado desfavorável. Tudo parece estar esquecido, até mesmo, tanto quanto indicam as últimas notícias, o sólido programa económico que foi apresentado como programa eleitoral.

A confiança vem da credibilidade. A credibilidade vem dos comportamentos. Muitos invocam a já célebre série televisiva dinamarquesa Borgen para legitimar o pragmatismo de todas as soluções, desde que garantam o poder. Eu recordo o exemplo oposto, ainda dentro do universo televisivo porque é acessível à maioria, um exemplo de integridade e verticalidade que muitos de nós gostaríamos de ver no comportamento dos nossos políticos.

Há dois dias, num programa de debate desportivo, o médico Eduardo Barroso decidiu abandonar em direto, em nome da dignidade pessoal, a sua participação no programa para manter a credibilidade e o bom nome que lhe são reconhecidos. Um comportamento de grande coragem pessoal que confronta e rejeita o inaceitável, marcando uma linha vermelha, como agora se diz.

Perante as dificuldades e os desafios em que o país se encontra, precisamos de comportamentos políticos orientados pelos valores do acordo e do compromisso. Mais do que táticas políticas ideológicas ou visões estratégicas para o país, venham elas da direita ou da esquerda, o que precisamos é de estabilidade. No médio e longo prazo, há muito para (re)construir na sociedade, nas empresas e na vida das famílias e das pessoas.

E é nessas condições de desenvolvimento que poderemos debater o modelo de sociedade, o que esperar do papel do Estado, o lugar da iniciativa privada, as regras da economia de mercado e da distribuição da riqueza gerada no país, a responsabilidade da sociedade civil e dos cidadãos. Como sempre, o nosso futuro é construído pelas decisões que tomamos com os nossos valores e comportamentos

Artigo escrito por Nuno Queiroz de Andrade

29 de Março, 2019

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